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quinta-feira, 28 de maio de 2009

Da noite

Eu, sendo flagrado num momento de extrema latinidad


A noite segue eterna.

Não nas festas, mas trabalhando, dando uma volta aqui e ali.

Vendo os outros beberem e eu sóbrio. Perceber o quanto o pessoal está fungando e coçando o nariz em todo o lugar que eu freqüento. O tempo todo!

Inverno gaúcho é foda. Galera tratando resfriado pelo sistema medicinal da Bolívia é mil graus.

Mas eu REALMENTE não me importo. Só acho graça.

As pessoas com quem trabalho - há exceção - aos poucos estão percebendo que quando digo alguma coisa a sério dificilmente é em vão, quando nego alguma coisa é visando um bem maior e quando estou quieto demais é porque algo está errado. Comigo, normalmente.

Além disso, conversando direito, com educação e expondo com tranqüilidade as coisas, eu sou bastante flexível.

Na categoria resmungo, estava eu outro dia debatendo, temperantemente, uma dissidência de idéias com um concidadão aqui de Caxias. Um caxiense típico - ou seja, um imbecil.

Segue diálogo, muito próximo do ipsis litteris, sem floreios, exageros e manobras do tipo. O que não foi dito exatamente da maneira que transcrevo, é por mero lapso mental.

Personagens:

Maurício Alejándro;
Caxiense Típico;

Cenário:

Vagão Bar

Cena:

- Maurício, a gente vai marcar contigo essa semana pra começar a gravar umas músicas... só consegue um preço bom lá pra gente, né? (piscando)

- Cara...

- Ah, são 4 músicas, mas tem que ficar BOM MESMO, viu... tem que caprichar. A gente vai começar a divulgar a banda... tem um primo do baterista que tem um contato (durante a menção da palavra contato, fui cutucado e o interlocutor piscou novamente) bom numa gravadora de São Paulo...

- Tá, pára!

- Que foi...

- Tchê, pára agora. Por favor. Só me escuta, tá bom?

- Tá, fala aí...

- Primeiro: eu consigo um preço bom: pra mim. Pro estúdio. Quando eu era um pé-rapado com um estúdio minúsculo correndo atrás de trabalho e praticando o baixo orçamento pra ter como pagar minhas contas, vocês nem me olhavam. Outra: se vocês fossem gravar comigo - e não vão porque minha agenda tá lotada de pessoas que realmente gostam do meu trabalho - se vocês fossem gravar comigo MESMO, tu não precisaria dizer que precisa ficar BOM MESMO, porque SABERIA que eu não faço meia-sola com ninguém. O que tu quer, meu amigo, é me resenhar discretamente pra ver qual é a minha. Ter uma desculpa pra falar de mim.

- Nossa...

- E tem mais, calma. Tu não tem contato nenhum com gravadora nenhuma de lugar nenhum. Eu escuto isso todos os dias. Os nóias da praça da Camilo tentam me convencer de que são artistas!

- Tá, então tá, perdeu o cliente...

- Não. Eu não perdi o cliente. Eu estou perdendo tempo aqui pra poupar tempo depois. Eu não quero te ofender, mas tu não é um cantor. É um chefinho de firma com um microfone na mão. Te põe no meu lugar: eu chego pra ti, te conto um monte de mentira, digo que preciso injetar sei lá quantas peças de plástico pra, sei lá, passar cabos ou qualquer merda dessas. Tá. Aí eu te peço uma quantidade de peça que nem vale a pena ligar a merda das máquinas, digo que as peças TÊM QUE FICAR BOAS, como se tu não soubesse disso, PEÇO DESCONTO e pra completar digo que as peças não são de plástico, mas de chumbo. Sim, porque o que tu vai me apresentar não é uma banda, é um monte de louco com dinheiro pra comprar instrumento.

Após o silêncio constrangedor que seguiu e durou, sei lá, uns 10 segundos:

- Tá. Quanto vocês tão cobrando por música?

De fato, eu falo chinês.

Topo do playlist:


Jesus chorou - Racionais MC's
Bom senso - Tim Maia
Guiné Bissau, Moçambique e Angola - Tim Maia
Epoca - Proyecto Gotan
Una musica brutal - Proyecto Gotan.

5 comentários:

Anônimo disse...

Aplausos!

Júlia disse...

gente, coitado do menino huahauhauhua

Vento disse...

Já vi que, esses, eu vou ter que gravar...

Adele Corners disse...

Pissa duríssima!

Anônimo disse...

APLAUSOS(2).